O Santo Padre Pio

Entrevista ao Padre Pio sobre a Santa Missa

* O Santo Padre Pio é mais um exemplo e modelo magníficos para todos os Cristãos, sobretudo para os Sacerdotes e Religiosos católicos... Peçamos sempre ao Senhor Jesus e à Virgem Maria que nos concedam muitos e santos Sacerdotes, Religiosos e Missionários, como o Padre Pio de Pietrelcina... E que os senhores Padres aprendam a celebrar a Santa Missa tão bem, com tanta Reverência, Piedade e Amor, como o Estigmatizado São Pio, em união íntima com a Paixão e Morte do Senhor Jesus... + Santo Padre Pio, rogai por nós!
- O senhor Padre ama o Sacrifício da Missa?
- Sim, porque ele regenera o Mundo.

- Que glória dá a Deus a Santa Missa?
- Dá-Lhe uma Glória infinita.

- Que devemos fazer durante a Missa?
- Compadecer-nos e amar.

- Padre, como devemos assistir à Santa Missa?
- Como assistiram a Santíssima Virgem e as piedosas mulheres.
Como assistiu S. João Evangelista ao Sacrifício Eucarístico e ao Sacrifício cruento da Cruz.

- Padre, que benefícios recebemos ao assistir à Santa Missa?
- Não se podem contar. Vê-los-emos no Céu.
Quando assistirmos à Santa Missa, renovemos a nossa Fé e meditemos na Vítima que Se imola por nós à Divina Justiça.
Não nos afastemos do Altar sem derramarmos lágrimas de dor e de amor a Jesus, crucificado por nossa salvação.
A Virgem Dolorosa acompanhar-nos-á e será a nossa doce inspiração.

- Padre, como é a sua Missa?
- É uma União sagrada com a Paixão de Jesus.
A minha responsabilidade é única no mundo.
(Disse-o, chorando).

- Que devemos descobrir na Santa Missa?
- Todo o Calvário.

- Padre, diga-me o que sofre durante a sua Missa.
- Sofro tudo o que Jesus sofreu na Sua Paixão, embora na mínima proporção, só quanto pode suportar uma criatura humana.
E isto, apesar de cada uma das minhas faltas, só pela Sua Bondade.

- Durante o Sacrifício Divino, o senhor Padre carrega os nossos pecados?
- Não posso deixar de fazê-lo, já que é uma parte do Santo Sacrifício.

- O senhor Padre considera-se a si mesmo um pecador?
- Não o sei, mas receio que sim.

- Eu já vi o senhor a tremer quando subia os degraus do Altar. É pelo que tem de sofrer?
- Não tanto pelo que tenho de sofrer, mas pelo muito que tenho de oferecer.

- Em que momento da Missa o senhor Padre sofre mais?
- Na Consagração e na Comunhão.

- Padre, esta manhã, na Missa, ao ler a história de Esaú quando vendeu os direitos da sua primogenitura, os seus olhos encheram-se de lágrimas...
- Parece-vos pouco desprezar os dons de Deus?

- Porquê, ao ler o Evangelho, o senhor chorou quando leu estas palavras: “Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue...” ?
- Chorai comigo de ternura!

- Padre, por que chora quase sempre que lê o Evangelho na Missa?
- A nós parece-nos que não tem importância que um Deus fale às Suas criaturas, e que elas O contradigam e continuamente O ofendam com a sua ingratidão e incredulidade.


- A sua Missa, Padre, é um Sacrifício cruento?
- Quem assim pensa é herege!
(Ele respondeu assim porque a Missa é um Sacrifício "incruento", sem derramamento de sangue de forma visível, mas apenas misticamente).

- Perdão, Padre, pois quis apenas dizer que na Missa o Sacrifício de Jesus não sendo cruento, será "cruenta" a participação do senhor Padre em toda essa mesma Paixão de Cristo. Engano-me?
- Não, nisso não te enganas. Creio que tens toda a razão.

- Quem limpa o sangue do senhor Padre, durante a Missa?
- Ninguém.

- Padre, porquê o senhor chora no Ofertório?
- Queres saber o segredo? Pois bem: Porque é o momento em que a alma se separa das coisas profanas.

- Durante sua Missa, Padre, o povo faz um pouco de barulho...
- Se estivesses no Calvário, não ouvirias gritos, blasfémias, ruídos, e ameaças? Havia um alvoroço enorme!

- Não o distraem os ruídos?
- Em nada.

- Padre, por que sofre tanto na Consagração?
- Não sejas maldoso... Não quero que me perguntes isso...

- Padre, diga-me, por favor: Porquê sofre tanto na Consagração?
- Porque, nesse momento, se produz realmente uma nova e admirável destruição e criação.

- Padre, por que chora no Altar, e o que significam as palavras que pronuncia na Elevação? Pergunto por curiosidade, mas também porque quero repeti-las com o senhor.
- Os Segredos do Rei Supremo não podem revelar-se, nem se profanar.
Perguntas-me por que choro, porém eu não queria derramar essas pobres lagrimazinhas, mas sim torrentes de lágrimas.
Não meditas neste grandioso Mistério?

- Padre, o senhor sofre, durante a Missa, a amargura do fel?
- Sim, muito frequentemente...

- Padre, como pode estar-se de pé no Altar?
- Como estava Jesus na Cruz.

- No Altar, o senhor Padre está pregado na Cruz, como Jesus no Calvário?
- E ainda me perguntas?

- Como se acha então o senhor?
- Como Jesus no Calvário.

- Padre, os carrascos deitaram a Cruz no chão, para pregarem os cravos em Jesus?
- Evidentemente.

- Ao senhor Padre também lhos pregam?
- E de que maneira!

- Também deitam a Cruz para o senhor Padre?
- Sim, mas não devemos ter medo.

- Padre, durante a Missa, o senhor pronuncia as Sete Palavras que Jesus disse na Cruz?
- Sim, indignamente, mas também as pronuncio.

- E a quem diz: “Mulher, eis aí teu filho”?
- Digo para Ela: “Eis aqui os filhos do Teu Filho”.

- O senhor sofre a sede e o abandono de Jesus?
- Sim.

- Em que momento?
- Depois da Consagração.

- Até que momento?
- Costuma ser até à Comunhão.

- O senhor diz que tem vergonha de dizer: “Procurei quem me consolasse e não achei”. Porquê?
- Porque os nossos sofrimentos, de verdadeiros culpados, não são nada, em comparação com os de Jesus.

- Diante de quem sente vergonha?
- Diante de Deus e da minha consciência.

- Os Anjos do Senhor reconfortam-no no Altar em que o senhor se imola?
- Pois, mas não o sinto.

- Se não lhe vem o consolo até à alma, durante o Santo Sacrifício, e o senhor sofre, como Jesus, o abandono total, a nossa presença não serve para nada?
- A utilidade é para vós.
Por acaso, foi inútil a presença da Virgem Dolorosa, de S. João e das piedosas mulheres, aos pés de Jesus Agonizante?

- O que é a Sagrada Comunhão?
- É toda uma Misericórdia interior e exterior, todo um Abraço.
Pede a Jesus que Se deixe comunicar sensivelmente.

- Quando Jesus vem, visita somente a alma?
- Visita o ser humano inteiro.

- Que faz Jesus na Comunhão?
- Deleita-Se na Sua criatura.

- Quando se une a Jesus na Sagrada Comunhão, o que deseja que peçamos a Deus pelo senhor Padre?
- Que eu seja outro Jesus, todo Jesus e sempre Jesus.

- O senhor sofre também na Comunhão?
- É esse o ponto culminante.

- Depois da Comunhão, continuam os seus sofrimentos?
- Sim, mas não tanto sofrimentos de Amor.

- A quem se dirigiu o último olhar de Jesus Agonizante?
- À Sua Mãe.

- E o senhor Padre para quem olha?
- Para os meus irmãos de exílio.

- O senhor mesmo morre na Santa Missa?
- Sim, misticamente, na Sagrada Comunhão.

- É por excesso de Amor, ou de Dor?
- Por ambas as coisas, mas mais por Amor.

- Se o senhor morre na Comunhão, continua a ficar no Altar? Porquê?
- Jesus Morto permanecia pendente da Cruz, no Calvário.

- O senhor Padre disse que a vítima morre na Comunhão, e depois colocam o Padre nos braços de Nossa Senhora?
- A mim, colocam nos braços de S. Francisco.

- Padre, Jesus desprega os braços da Cruz para descansar no senhor?
- Sou eu quem descansa n’Ele.

- Quanto o senhor ama a Jesus?
- O meu desejo é imenso, mas a verdade é que, infelizmente, tenho que dizer "nada amo", e isso me causa muita pena.

- Padre, por que o senhor chora ao pronunciar as últimas palavras do Evangelho de S. João: “E vimos a Sua Glória como Unigénito do Pai, cheio de Graça e de Verdade”?
- Parece-te pouco? Se os Apóstolos, com os seus olhos do corpo, viram essa Glória em Cristo na Terra, como será então a que veremos no Filho de Deus, em Jesus, aquando da Sua manifestação no Céu?

- Que união teremos então com Jesus?
- A Sagrada Eucaristia dá-nos uma ideia.

- A Santíssima Virgem assiste à sua Missa?
- Julgas que a Mãe não se interessa pelo Seu Filho?

- E os Anjos?
- Em multidões.


- Padre, quem está mais perto do Altar?
- Todo o Paraíso.

- O senhor gostaria de celebrar mais de uma Missa por dia?
- Se eu pudesse, não quereria descer do Altar.

- Disseram-me que o senhor traz o seu próprio Altar...
- Sim, porque se realizam estas palavras do Apóstolo:
“Eu trago no meu corpo os estigmas de Jesus”; “Estou cravado com Cristo na Cruz”; “Castigo o meu corpo e reduzo-o à escravidão”...

- Nesse caso, não me engano quando digo que estou vendo em si Jesus Crucificado...
- ... (Nenhuma resposta)

- Padre, o senhor lembra-se de mim na Santa Missa?
- Durante todo o Santo Sacrifício, desde o princípio até o fim, lembro-me de ti.


A Missa do Padre Pio, nos seus primeiros anos, durava mais de duas horas. Sempre foi um êxtase de Amor e de Dor. O seu rosto estava inteiramente concentrado em Deus e cheio de lágrimas...
Um dia, ao confessar-me, perguntei-lhe sobre este grande mistério:

- Padre, quero fazer-lhe uma pergunta.
- Diz, meu filho.

- Padre, queria perguntar-lhe: o que é a Santa Missa?
- Por que me perguntas isso?

- Para vivê-la melhor, senhor Padre.
- Filho, posso dizer-te o que é a minha Santa Missa.

- Pois, é isso mesmo o que queria saber, Padre.
- Meu filho, estamos na Cruz, e a Missa é uma contínua Agonia.

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Nota complementar, sobre a Vida do Padre Pio:

O Santo Padre Pio nasceu no dia 25 de Maio de 1887, em Pietrelcina, na Arquidiocese de Benevento (Itália), filho de Grazio Forgione e de Maria Giuseppa de Nunzio.
Foi baptizado no dia seguinte, recebendo o nome de Francisco.
Recebeu o sacramento do Crisma e a Primeira Comunhão, quando tinha 12 anos.
Aos 16 anos, no dia 6 de Janeiro de 1903, entrou no noviciado da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, em Morcone, tendo aí vestido o hábito franciscano, no dia 22 do mesmo mês, e ficou a chamar-se Frei Pio.
Depois da Ordenação Sacerdotal, recebida no dia 10 de Agosto de 1910 em Benevento, necessitou de ficar com a sua família até 1916, por motivos de saúde.
Em Setembro desse ano de 1916, foi mandado para o Convento de São Giovanni Rotondo, onde permaneceu até à morte.
Desde a juventude, a sua saúde não foi muito brilhante e, sobretudo nos últimos anos da sua vida, declinou rapidamente.
A irmã morte levou-o, preparado e sereno, no dia 23 de Setembro de 1968.
Tinha ele, então, 81 anos de idade.
O seu funeral caracterizou-se por uma afluência absolutamente extraordinária de gente.

+ Glorioso Padre Pio, rogai por nós!

O Santo Padre Pio é também para mim, assim como a Beata Alexandrina de Balasar, um referencial moral e espiritual de suma importância, não só por ser um grande Santo do nosso tempo, como ainda por ter sido um grande Místico, como herdeiro espiritual de São Francisco de Assis.

O Padre Pio de Pietrelcina foi o primeiro Sacerdote a ter impressas no seu corpo as cinco chagas de Cristo, sendo assim conhecido em todo o mundo como o Frade Estigmatizado.

Ele sofria imenso, não só pelas suas chagas, que sangravam continuamente durante a maior parte da sua atribulada vida, como ainda sofria misticamente a Paixão de Cristo sempre que celebravra a Santa Missa, a qual durava geralmente cerca de duas horas.

Ele fez muitos milagres ainda em vida, e conhecia os delitos dos seus penitentes ainda antes de serem confessados, assim como pelo cheiro nauseabundo que os pecados exalavam.

O Padre Pio profetizou, numa visita que o então ainda Bispo Karol Woytila lhe fez, salvo erro nos anos cinquenta, que ele mesmo, Woytila, havia de ser Papa, para além de ter curado uma grave doença de um familiar do futuro João Paulo II.

Frei Pio tinha frequentes colóquios íntinos com o Senhor Jesus, com a Santíssima Virgem, com S. Francisco de Assis e com os Anjos, assim como beneficiava de frequentes visões celestes e sobrenaturais, inclusivamente do Demónio e do próprio Inferno.

O Padre Pio foi beatificado e canonizado pelo Papa João Paulo II, que era um grande admirador e devoto de Frei Pio de Pietrelcina.

Enfim, o Santo Padre Pio é um magnífico exemplo para todos os Sacerdotes e Religiosos dos nossos dias, assim como para todos os Cristãos em geral.
Haja, pois, muitos Padres e Religiosos assim!
Mas infelizmente, por ação diabólica, tem havido cada vez menos!

Rezemos muito para que esta trágica situação se inverta, pois só havendo Sacerdotes e Bispos Santos, poderá haver leigos santos, povo santo, para a maior Glória de Deus e Salvação das Almas.

+ Santo Padre Pio, rogai por nós!

Cordiais saudações evangelizadoras para todos, especialmente para os amigos e irmãos mais necessitados.
Rezo por todos vós e peço que me associeis às vossas preciosas orações.

Tenho recebido novamente por e-mail, a terceira profecia de Nossa Senhora de Fátima, e constatei que alguns amigos a desconhecem, assim como desconhecem também algumas outras revelações importantes.
Publico aqui, uma delas, que teria sido feita por Jesus ao Padre Pio (Itália, 1918):

"A hora de minha vinda está próxima...um castigo espantoso dará testemunho do meu poder...aqueles queesperarem em Mim e crerem em Minhas palavras não deverão ter medo, porque Eu não os abandonarei, tão pouco os que propagarem a minha mensagem.
Aqueles que estiverem em estado de graça e buscarem a proteção de Minha Mãe não sofrerão prejuízo algum...a noite será muito fria, rugirá o vento, pouco depois ouvireis trovoadas...deveis trancar as portas e janelas e não falar com ninguém que estiver fora de vossa casa.
Ajoelhai-vos diante de um crucifixo, arrependei-vos dos vossos pecados pedindo a proteção de Minha Mãe.
Não olheis para fora durante o terremoto...furacões de fogo se formarão nas nuvens estendendo tempestades por toda a terra. Virá uma chuva de fogo sem interrupção.
O vento trará gases venenosos que se espalharão por toda a terra...mas em três noites terminarão os terremotos e no dia seguinte brilhará o sol.
Os anjos do céu virão trazendo para a terra o espírito da paz e uma imensa gratidão transbordará naqueles que sobreviverem a este terrível juízo de Deus."

 

Biografia de Santo Padre Pio

«Quanto a mim, Deus me livre de me gloriar a não ser na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo» (Gál 6, 14).
Tal como o apóstolo Paulo, o Padre Pio de Pietrelcina colocou, no vértice da sua vida e do seu apostolado, a Cruz do seu Senhor como sua força, sabedoria e glória. Abrasado de amor por Jesus Cristo, com Ele se configurou imolando-se pela salvação do mundo. Foi tão generoso e perfeito no seguimento e imitação de Cristo Crucificado, que poderia ter dito: «Estou crucificado com Cristo; já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim» (Gál 2, 19). E os tesouros de graça que Deus lhe concedera com singular abundância, dispensou-os ele incessantemente com o seu ministério, servindo os homens e mulheres que a ele acorriam em número sempre maior e gerando uma multidão de filhos e filhas espirituais.
Este digníssimo seguidor de S. Francisco de Assis nasceu no dia 25 de Maio de 1887 em Pietrelcina, na arquidiocese de Benevento, filho de Grazio Forgione e de Maria Giuseppa de Nunzio. Foi baptizado no dia seguinte, recebendo o nome de Francisco. Recebeu o sacramento do Crisma e a Primeira Comunhão, quando tinha 12 anos.
Aos 16 anos, no dia 6 de Janeiro de 1903, entrou no noviciado da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, em Morcone, tendo aí vestido o hábito franciscano no dia 22 do mesmo mês, e ficou a chamar-se Frei Pio. Terminado o ano de noviciado, fez a profissão dos votos simples e, no dia 27 de Janeiro de 1907, a dos votos solenes.
Depois da Ordenação Sacerdotal, recebida no dia 10 de Agosto de 1910 em Benevento, precisou de ficar com sua família até 1916, por motivos de saúde. Em Setembro desse ano de 1916, foi mandado para o convento de São Giovanni Rotondo, onde permaneceu até à morte.
Abrasado pelo amor de Deus e do próximo, o Padre Pio viveu em plenitude a vocação de contribuir para a redenção do homem, segundo a missão especial que caracterizou toda a sua vida e que ele cumpriu através da direcção espiritual dos fiéis, da reconciliação sacramental dos penitentes e da celebração da Eucaristia. O momento mais alto da sua actividade apostólica era aquele em que celebrava a Santa Missa. Os fiéis, que nela participavam, pressentiam o ponto mais alto e a plenitude da sua espiritualidade.
No campo da caridade social, esforçou-se por aliviar os sofrimentos e misérias de tantas famílias, principalmente com a fundação da «Casa Sollievo della Sofferenza» (Casa Alívio do Sofrimento), que foi inaugurada no dia 5 de Maio de 1956.
Para o Padre Pio, a fé era a vida: tudo desejava e tudo fazia à luz da fé. Empenhou-se assiduamente na oração. Passava o dia e grande parte da noite em colóquio com Deus. Dizia: «Nos livros, procuramos Deus; na oração, encontramo-Lo. A oração é a chave que abre o coração de Deus». A fé levou-o a aceitar sempre a vontade misteriosa de Deus.
Viveu imerso nas realidades sobrenaturais. Não só era o homem da esperança e da confiança total em Deus, mas, com as palavras e o exemplo, infundia estas virtudes em todos aqueles que se aproximavam dele.O amor de Deus inundava-o, saciando todos os seus anseios; a caridade era o princípio inspirador do seu dia: amar a Deus e fazê-Lo amar. A sua particular preocupação: crescer e fazer crescer na caridade.
A máxima expressão da sua caridade para com o próximo, ve-mo-la no acolhimento prestado por ele, durante mais de 50 anos, às inúmeras pessoas que acorriam ao seu ministério e ao seu confessionário, ao seu conselho e ao seu conforto. Parecia um assédio: procuravam-no na igreja, na sacristia, no convento. E ele prestava-se a todos, fazendo renascer a fé, espalhando a graça, iluminando. Mas, sobretudo nos pobres, atribulados e doentes, ele via a imagem de Cristo e a eles se entregava de modo especial.
Exerceu de modo exemplar a virtude da prudência; agia e aconselhava à luz de Deus.
O seu interesse era a glória de Deus e o bem das almas. A todos tratou com justiça, com lealdade e grande respeito.
Nele refulgiu a virtude da fortaleza. Bem cedo compreendeu que o seu caminho haveria de ser o da Cruz, e logo o aceitou com coragem e por amor. Durante muitos anos, experimentou os sofrimentos da alma. Ao longo de vários anos suportou, com serenidade admirável, as dores das suas chagas. 
Quando o seu serviço sacerdotal esteve submetido a investigações, sofreu muito, mas aceitou tudo com profunda humildade e resignação. Frente a acusações injustificáveis e calúnias, permaneceu calado, sempre confiando no julgamento de Deus, dos seus superiores directos e de sua própria consciência.
Recorreu habitualmente à mortificação para conseguir a virtude da temperança, conforme o estilo franciscano. Era temperante na mentalidade e no modo de viver.
Consciente dos compromissos assumidos com a vida consagrada, observou com generosidade os votos professados. Foi obediente em tudo às ordens dos seus Superiores, mesmo quando eram gravosas. A sua obediência era sobrenatural na intenção, universal na extensão e integral no cumprimento. Exercitou o espírito de pobreza, com total desapego de si próprio, dos bens terrenos, das comodidades e das honrarias. Sempre teve uma grande predilecção pela virtude da castidade. O seu comportamento era, em todo o lado e para com todos, modesto.
Considerava-se sinceramente inútil, indigno dos dons de Deus, cheio de misérias e ao mesmo tempo de favores divinos. No meio de tanta admiração do mundo, ele repetia: «Quero ser apenas um pobre frade que reza».
Desde a juventude, a sua saúde não foi muito brilhante e, sobretudo nos últimos anos da sua vida, declinou rapidamente. A irmã morte levou-o, preparado e sereno, no dia 23 de Setembro de 1968; tinha ele 81 anos de idade. O seu funeral caracterizou-se por uma afluência absolutamente extraordinária de gente.
No dia 20 de Fevereiro de 1971, apenas três anos depois da morte do Padre Pio, Paulo VI, dirigindo-se aos Superiores da Ordem dos Capuchinhos, disse dele: «Olhai a fama que alcançou, quantos devotos do mundo inteiro se reúnem ao seu redor! Mas porquê? Por ser talvez um filósofo? Por ser um sábio? Por ter muitos meios à sua disposição? Não! Porque celebrava a Missa humildemente, confessava de manhã até à noite e era – como dizê-lo?! – a imagem impressa dos estigmas de Nosso Senhor. Era um homem de oração e de sofrimento».
Já gozava de larga fama de santidade durante a sua vida, devido às suas virtudes, ao seu espírito de oração, de sacrifício e de dedicação total ao bem das almas.
Nos anos que se seguiram à sua morte, a fama de santidade e de milagres foi crescendo cada vez mais, tornando-se um fenómeno eclesial, espalhado por todo o mundo e em todas as categorias de pessoas.
Assim Deus manifestava à Igreja a vontade de glorificar na terra o seu Servo fiel. Não tinha ainda passado muito tempo quando a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos empreendeu os passos previstos na lei canónica para dar início à Causa de beatificação e canonização. Depois de tudo examinado, como manda o Motu proprio «Sanctitas Clarior», a Santa Sé concedeu o nihil obstat no dia 29 de Novembro de 1982. O Arcebispo de Manfredónia pôde assim proceder à introdução da Causa e à celebração do processo de averiguação (1983-1990). No dia 7 de Dezembro de 1990, a Congregação das Causas dos Santos reconheceu a sua validade jurídica. Ultimada a Positio, discutiu-se, como é costume, se o Servo de Deus tinha exercitado as virtudes em grau heróico. No dia 13 de Junho de 1997, realizou-se o Congresso Peculiar dos Consultores Teólogos, com resultado positivo. Na Sessão Ordinária de 21 de Outubro seguinte, tendo como Ponente da Causa o Ex.mo e Rev.mo D. Andrea Maria Erba, Bispo de Velletri-Segni, os Cardeais e Bispos reconheceram que o Padre Pio de Pietrelcina exercitou em grau heróico as virtudes teologais, cardeais e anexas.
No dia 18 de Dezembro de 1997, na presença do Papa João Paulo II foi promulgado o Decreto sobre a heroicidade das virtudes. Para a beatificação do Padre Pio, a Postulação apresentou ao Dicastério competente a cura da senhora Consiglia de Martino, de Salerno. Sobre o caso desenrolou-se o Processo canónico regular no Tribunal Eclesiástico da arquidiocese de Salerno-Campanha-Acerno, desde Julho de 1996 até Junho de 1997. Na Congregação das Causas dos Santos, realizou-se, no dia 30 de Abril de 1998, o exame da Consulta Médica e, no dia 22 de Junho do mesmo ano, o Congresso Peculiar dos Consultores Teólogos. No dia 20 de Outubro seguinte, reuniu-se no Vaticano a Congregação Ordinária dos Cardeais e Bispos, membros do Dicastério, e, no dia 21 de Dezembro de 1998, foi promulgado, na presença do Papa João Paulo II, o Decreto sobre o milagre.
No dia 2 de Maio de 1999, durante uma solene Celebração Eucarística na Praça de São Pedro, Sua Santidade João Paulo II, com sua autoridade apostólica, declarou Beato o Venerável Servo de Deus Pio de Pietrelcina, estabelecendo no dia 23 de Setembro a data da sua festa litúrgica.
Para a canonização do Beato Pio de Pietrelcina, a Postulação apresentou ao competente Dicastério o restabelecimento do pequeno Matteo Pio Collela de São Giovanni Rotondo. Sobre este caso foi elaborado um processo canónico no Tribunal Eclesiástico da arquidiocese de Manfredonia-Vieste, que decorren de 11 de Junho a 17 de Outubro de 2000. No dia 23 de Outubro de 2000, a documentação foi entregue à Congregação das Causas dos Santos. No dia 22 de Novembro de 2001 é aprovado, na Congregação das Causas dos Santos, o exame da Consulta Médica. No dia 11 de Dezembro de 2001, é julgado pelo Congresso Peculiar dos Consultores Teólogos e, no dia 18 do mesmo mês, pela Sessão Ordinária dos Cardeais e Bispos. No dia 20 de Dezembro, na presença do Papa João Paulo II, foi promulgado o Decreto sobre o milagre; no dia 26 de Fevereiro de 2002, foi publicado o Decreto sobre a sua canonização.

HOMILIA DO SANTO PADRE JOÃO PAULO II
NA CANONIZAÇÃO DO PADRE PIO DE PIETRELCINA



Domingo, 16 de Junho de 2002  
1. "O Meu jugo é suave e o Meu fardo é leve" (Mt
11, 30).
As palavras dirigidas por Jesus aos discípulos, que acabamos de ouvir, ajudam-nos a compreender a mensagem mais importante desta solene celebração. De facto, podemos considerá-las, num  certo  sentido,  como  uma  magnífica síntese de toda a existência do Padre Pio de Pietrelcina, hoje proclamado santo.
A imagem evangélica do "jugo" recorda as numerosas provas que o humilde capuchinho de San Giovanni Rotondo teve que enfrentar. Hoje contemplamos nele como é suave o "jugo" de Cristo e verdadeiramente leve o seu fardo quando é carregado com amor fiel. A vida e a missão do Padre Pio testemunham que as dificuldades e os sofrimentos, se forem aceites por amor, transformam-se num caminho privilegiado de santidade, que abre perspectivas de um bem maior, que só Deus conhece.
2. "Quanto a mim, Deus me livre de me gloriar a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo" (Gl 6, 14).
Não é porventura precisamente a "glorificação da Cruz" o que mais resplandece em Padre Pio? Como é actual a espiritualidade da Cruz vivida pelo humilde Capuchinho de Pietrelcina! O nosso tempo precisa de redescobrir o valor para abrir o coração à esperança.
Em toda a sua existência, ele procurou conformar-se cada vez mais com o Crucificado, tendo clara consciência de ter sido chamado para colaborar de modo peculiar na obra da redenção. Sem esta referência constante à Cruz não se compreende a sua santidade.
No plano de Deus, a Cruz constitui o verdadeiro instrumento de salvação para toda a humanidade e o caminho proposto explicitamente pelo Senhor a todos aqueles que desejam segui-l'O (cf. Mc 16, 24). O Santo Frade do Gargano compreendeu isto muito bem, e na festa da Assunção de 1914 escreveu:  "Para alcançar a nossa única finalidade é preciso seguir o Chefe divino, o qual, unicamente pelo caminho que ele percorreu deseja conduzir a alma eleita; isto é, pelo caminho da abnegação e da Cruz" (Epistolário II, pág. 155).
3. "Eu sou o Senhor, que exerço a misericórdia" (Jer 9, 23).
Padre Pio foi um generoso dispensador da misericórdia divina, estando sempre disponível para todos através do acolhimento, da direcção espiritual, e sobretudo da administração do sacramento da Penitência. O ministério do confessionário, que constitui uma das numerosas características que distinguem o seu apostolado, atraía numerosas multidões de fiéis ao Convento de San  Giovanni  Rotondo.  Mesmo  quando aquele singular confessor tratava os peregrinos com severidade aparente, eles, tomando consciência da gravidade do pecado e arrependendo-se sinceramente, voltavam quase sempre atrás para o abraço pacificador do perdão sacramental.
Oxalá o seu exemplo anime os sacerdotes a realizar com alegria e assiduidade este ministério, muito importante também hoje, como desejei recordar na Carta aos Sacerdotes por ocasião da passada Quinta-Feira Santa.
4. "Senhor, és tu o meu único bem".
Cantamos assim no Salmo Responsorial. Através destas palavras o novo Santo convida-nos a pôr Deus acima de tudo, a considerá-lo como o nosso único e sumo bem.
De facto, a razão última da eficácia apostólica do Padre Pio, a raiz profunda de tanta fecundidade espiritual encontra-se na íntima e constante união com Deus de que eram testemunhas eloquente as longas horas passadas em oração. Gostava de repetir:  "Sou um pobre frade que reza", convencido de que "a oração é a melhor arma que possuímos, uma chave que abre o coração de Deus". Esta característica fundamental da sua espiritualidade continua nos "Grupos de Oração" por ele fundados, que oferecem à Igreja e à sociedade o admirável contributo de uma oração incessante e confiante. O Padre Pio unia à oração também uma intensa actividade caritativa, da qual é uma extraordinária expressão a "Casa Alívio do Sofrimento". Oração e caridade, eis uma síntese muito concreta do ensinamento do Padre Pio, que hoje é proposto a todos.
5. "Bendigo-Te, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque... estas coisas... as revelaste aos pequeninos" (Mt 11, 25).
Como se mostram apropriadas estas palavras de Jesus, quando as pensamos referindo-as a ti, humilde e amado Padre Pio.
Nós pedimos-te que nos ensines também a nós a humildade do coração, para  sermos  conservados  entre  os  pequeninos do Evangelho, aos quais o Pai prometeu revelar os mistérios do seu Reino.
Ajuda-nos a rezar sem nunca nos cansarmos, com a certeza de que Deus conhece aquilo de que precisamos, ainda antes que nós o peçamos.
Obtém-nos  um  olhar  de  fé  capaz de reconhecer imediatamente nos pobres e nos que sofrem o próprio rosto de Jesus.
Ampara-nos no momento do combate e da prova e, se cairmos, faz com que conheçamos a alegria do sacramento do Perdão.
Transmite-nos a tua terna devoção a Maria, Mãe de Jesus e nossa mãe.
Acompanha-nos na peregrinação terrena rumo à Pátria bem-aventurada, onde também nós esperamos chegar para contemplar eternamente a Glória do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Amen!

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II 
AOS PEREGRINOS PARA O ACTO DE AGRADECIMENTO
 PELA BEATIFICAÇÃO DO PADRE PIO DE PIETRELCINA

Segunda-feira, 3 de Maio de 1999 
Caríssimos Irmãos e Irmãs! 
1. Com grande alegria encontro-me de novo convosco nesta Praça, que ontem viu realizar-se um evento por vós tão esperado: a beatificação do Padre Pio de Pietrelcina. Hoje, é o dia da acção de graças. 
Há pouco concluiu-se a solene celebração eucarística, presidida pelo Cardeal Angelo Sodano, meu Secretário de Estado. A ele dirijo uma cordial saudação, estendendo-a a todos os Cardeais e Bispos, assim como aos numerosos sacerdotes e aos fiéis presentes. Com afecto especial vos abraço, caros Frades Capuchinhos, e demais membros da grande Família franciscana, que louvais o Senhor pelas maravilhas por Ele operadas no humilde Frade de Pietrelcina, seguidor exemplar do Pobrezinho de Assis. 
Muitos de vós, caros peregrinos, são membros dos grupos de oração fundados pelo Padre Pio: saúdo-vos com afecto juntamente com todos os fiéis que, movidos pela devoção para com o novo Beato, quiseram estar presentes nesta jubilosa circunstância. Por fim, desejo dirigir uma saudação particular a cada um de vós, queridos doentes, que fostes os predilectos no coração e na acção do Padre Pio: obrigado pela vossa preciosa presença! 
2. A divina Providência quis que o Padre Pio fosse proclamado Beato na vigília do Grande Jubileu do Ano 2000, quando se conclui um século dramático. Qual é a mensagem que, com este evento de grande importância espiritual, o Senhor quer oferecer aos fiéis e à inteira humanidade? 
O testemunho do Padre Pio, legível na sua vida e na sua própria pessoa física, leva-nos a considerar que esta mensagem coincide com o conteúdo essencial do Jubileu, já próximo: Jesus Cristo é o único Salvador do mundo. N'Ele, na plenitude dos tempos, a misericórdia de Deus fez-se carne, para dar a salvação à humanidade, ferida mortalmente pelo pecado. «Pelas Suas chagas fostes curados» (1 Pd 2, 24), repete a todos o Beato Padre, com as palavras do apóstolo Pedro, ele, que teve aquelas chagas impressas no seu corpo. 
Em sessenta anos de vida religiosa, transcorridos quase todos em San Giovanni Rotondo, ele dedicou-se inteiramente à oração e ao ministério da reconciliação e da direcção espiritual. O Servo de Deus Papa Paulo VI ressaltou-o muito bem: «Vede que fama teve o Padre Pio!... Mas por quê? ... Porque celebrava a Missa de maneira humilde, atendia às confissões desde a manhã até à noite, e era representante impresso dos estigmas de Nosso Senhor. Era um homem de oração e de sofrimento» (20 de Fevereiro de 1971). 
Inteiramente recolhido em Deus, levando sempre no seu corpo a paixão de Jesus, ele foi pão partido para os homens famintos do perdão de Deus Pai. Os seus estigmas, como os de Francisco de Assis, eram obra e sinal da misericórdia divina, que mediante a Cruz de Cristo remiu o mundo. Aquelas feridas abertas e sangrentas falavam do amor de Deus por todos, especialmente pelos doentes no corpo e no espírito. 
3. E que dizer da sua vida, incessante combate espiritual sustentado com as armas da oração, centrada nos quotidianos sagrados gestos da Confissão e da Missa? A Santa Missa era o centro de toda a sua jornada, a preocupação quase ansiosa de todas as horas, o momento de maior comunhão com Jesus, Sacerdote e Vítima. Sentia-se chamado a participar na agonia de Cristo, agonia que continua até ao fim do mundo. 
Caríssimos, neste nosso tempo, em que ainda se tem a ilusão de resolver os conflitos com a violência e a prepotência, e se cede não raro à tentação de abusar da força das armas, o Padre Pio repete aquilo que certa vez ele disse: «Que horror a guerra! Em cada homem atingido na carne está Jesus que sofre». Depois, não deve passar despercebido o facto que as suas duas obras – a «Casa Alívio do Sofrimento» e os Grupos de oração – foram por ele concebidas no ano de 1940, quando na Europa se delineava a catástrofe da segunda guerra mundial. Ele não ficou inerte, mas, do seu convento perdido no Gargano, respondeu com a oração e com as obras de misericórdia, com a caridade para com Deus e para com o próximo. E hoje, do Céu, ele repete a todos que este é o autêntico caminho da paz. 
4. Os Grupos de Oração e a «Casa Alívio do Sofrimento»: eis dois «dons» significativos que o Padre Pio nos deixou. Ideada e querida por ele como hospital para os doentes pobres, a «Casa Alívio do Sofrimento» foi projectada, desde o início, como estrutura sanitária aberta a todos, mas não por isso menos aparelhada que os outros hospitais. O Padre Pio a quis, pelo contrário, dotada dos mais avançados instrumentos científicos e tecnológicos, para que fosse lugar de autêntico acolhimento, de amoroso respeito e de eficaz terapia para toda a pessoa que sofre. Não é talvez este um verdadeiro milagre da Providência, que continua e se desenvolve, seguindo o espírito do Fundador? 
Depois, quanto aos Grupos de oração, foram queridos por ele como faróis de luz e amor no mundo. Desejava que muitas almas se associassem a ele na oração: «Orai – dizia – orai ao Senhor comigo, porque o mundo inteiro precisa de orações. E cada dia, quando o vosso coração sentir mais a solidão da vida, orai, orai juntamente com o Senhor, porque também Deus tem necessidade das nossas orações!». A sua intenção era criar um exército de pessoas que rezassem, de pessoas que fossem «fermento» no mundo com a força da oração. E hoje a Igreja inteira é-lhe grata por esta preciosa herança, admira a santidade deste seu filho e convida todos a seguir o seu exemplo.
5. Caríssimos Irmãos e Irmãs, o testemunho do Padre Pio constitui uma poderosa evocação da dimensão sobrenatural, que não deve ser confundida com a crendice de milagres, desvio que sempre foi rejeitado por ele. Para ele olhem, de modo especial, os sacerdotes e as pessoas consagradas. 
Ele ensina os sacerdotes a fazerem-se instrumentos dóceis e generosos da graça divina, que cura as pessoas na raiz dos seus males, restituindo-lhes a paz do coração. O altar e o confessionário foram os dois pólos da sua vida: a intensidade carismática com que celebrava os divinos Mistérios é mais do que nunca testemunho salutar, para demover os presbíteros da tentação da rotina e os ajudar a redescobrir, dia após dia, o inexaurível tesouro de renovação espiritual, moral e social posto nas suas mãos. 
Aos consagrados, de modo especial à Família franciscana, ele oferece um testemunho de singular fidelidade. Francisco era o seu nome de baptismo, e do Seráfico Pai, desde o seu ingresso no convento, ele foi um digno seguidor, na pobreza, na castidade e na obediência. Praticou com todo o seu rigor a regra capuchinha, abraçando com generosidade a vida de penitência. Não se comprazia com o sofrimento, mas escolheu-o como via de expiação e de purificação. Como o Pobrezinho de Assis, teve como objectivo a conformidade com Jesus Cristo, desejando apenas «amar e sofrer», para ajudar o Senhor na fadigosa e exigente obra da salvação. Na obediência «firme, constante e férrea» (Epist. I, 488), o seu amor incondicionado a Deus e à Igreja encontrou a mais alta expressão. 
Que consolação sentir ao nosso lado o Padre Pio, que quis ser simplesmente «um pobre frade que ora»: irmão de Cristo, irmão de Francisco, irmão de quem sofre, irmão de cada um de nós. Possa a sua ajuda guiar-nos pelo caminho do Evangelho e tornar-nos sempre mais generosos no seguimento de Cristo! 
Obtenha-nos isto a Virgem Maria, que ele amou e fez com que fosse amada com profunda devoção. Obtenha-nos isto a sua intercessão, que invocamos com confiança. 
Acompanho estes bons votos com a Bênção Apostólica, que de coração vos concedo, a vós caros peregrinos aqui presentes, e a quantos se uniram espiritualmente a este encontro festivo.